Hanseníase no Vale do Itajaí, Santa Catarina, Brasil (2004–2024): perfil epidemiológico e proposta de indicador operacional para vigilância da endemia oculta
DOI:
https://doi.org/10.17058/reci.v16i.20966Palavras-chave:
Hanseníase, Mycobacterium leprae, Vigilância Epidemiológica, Busca de Comunicante, Indicadores de ServiçosResumo
Justificativa e Objetivos: A hanseníase permanece endêmica no Brasil, segundo país com maior número de casos no mundo. Em regiões de baixa endemicidade, a subnotificação e a predominância de vigilância passiva dificultam a identificação da real magnitude da doença. Este estudo objetivou caracterizar o perfil epidemiológico da hanseníase no Vale do Itajaí, Santa Catarina, no período de 2004 a 2024, e propor um indicador operacional, a Taxa de Detecção por Busca Ativa em Contatos (TDBA-C), para avaliar a capacidade de detecção precoce pela vigilância. Métodos: Estudo ecológico descritivo com dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), abrangendo 42 municípios. Foram analisadas variáveis sociodemográficas, clínicas e operacionais por meio de frequências absolutas e relativas. Resultados: Foram registrados 426 casos, sendo 330 (77,5%) casos novos. Predominaram indivíduos do sexo masculino (n=254; 59,6%), raça branca (n=334; 78,4%), faixa etária de 40 a 49 anos (n=106; 24,9%) e ensino fundamental incompleto. A classe operacional multibacilar correspondeu a 299 (70,2%) casos, e a forma virchowiana a 160 (37,6%). O grau de incapacidade física 2 no diagnóstico foi identificado em 25 (6,3%) dos avaliados. A detecção por exame de contatos ocorreu em apenas 8 (1,9%) casos. A TDBA-C calculada para o Médio Vale foi de 1,11%, classificada como precária. Conclusão: Os achados evidenciam diagnóstico tardio, vigilância predominantemente passiva e uma provável endemia oculta. A TDBA-C é proposta como indicador complementar para avaliar a vigilância em áreas de baixa endemicidade, necessitando validação em estudos futuros.
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