Internações e óbitos por doença hepática associada ao álcool no Brasil e regiões, 2000–2022
DOI:
https://doi.org/10.17058/reci.v16i.20181Palavras-chave:
Hepatopatias alcoólicas, Abuso de álcool, Sistemas de informação, Estudos epidemiológicosResumo
Justificativa e Objetivos: A doença hepática associada ao álcool (DHA) é a principal causa de morte atribuível ao álcool e a sexta em internações relacionadas. A esteatose hepática ocorre em cerca de 90% dos etilistas, sendo que 10% a 20% dos bebedores pesados crônicos evoluem para formas graves, como hepatite alcoólica e cirrose. Devido à prevalência e gravidade da DHA e à existência de poucos estudos sobre o tema, torna-se essencial que o assunto seja explorado pela comunidade científica. O objetivo do presente trabalho foi analisar a evolução temporal e o perfil epidemiológico das internações hospitalares e óbitos por DHA nas cinco regiões do Brasil, no período entre 2000 e 2022. Métodos: Trata-se de estudo ecológico com dados secundários do Sistema de Informações de Mortalidade e do Sistema de Informações Hospitalares, para período de 2000 a 2022, conforme ocorrência de Doença Alcoólica do Fígado. Resultados: Foram registradas 344.039 internações e 214.642 óbitos no Brasil. Observou-se maior frequência de internações e mortes em indivíduos do sexo masculino, faixa etária de 40 a 59 anos, entre indivíduos autodeclarados pretos ou pardos, solteiros e com baixa escolaridade. As variações percentuais anuais para as internações e óbitos foram ascendentes em todas as regiões e maiores na região Norte, 2,57% e 4,95%, respectivamente. A região Sul apresenta valores relativamente baixos, no entanto, possui taxas de internação e mortalidade muito acima da média nacional. Conclusão: esta análise ecológica permitiu demonstrar como o agravo tem impactado de forma ascendente em internações e óbitos nas diferentes regiões do país. Ressaltando a importância na promoção de ações em saúde para a contenção do uso abusivo de álcool. Pesquisas futuras poderão analisar a integração entre os bancos de dados para subsidiar estratégias de controle e prevenção do agravo, assim como verificar a oportunidade de acesso e a sobrevida após a internação.
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