Tendência e perfil da mortalidade materna na Baixada Maranhense, 2013-2022: análise de série temporal

Autores

  • Leila Camila Reis Pereira Universidade Federal do Maranhão, Centro de Ciências Humanas, Naturais, Saúde e Tecnologia (CCHNST) -Pinheiro.
  • Kezia Cristina Batista dos Santos Universidade Federal do Maranhão, Centro de Ciências Humanas, Naturais, Saúde e Tecnologia (CCHNST) -Pinheiro.

DOI:

https://doi.org/10.17058/reci.v16i.20571

Palavras-chave:

Morte materna, Perfil epidemiológico, Políticas públicas, Sistema de informação em saúde, Análise de série temporal

Resumo

Justificativa e Objetivos: A redução da mortalidade materna permanece como um desafio não resolvido mundialmente e integra a Agenda 2030, estabelecida pela Organização das Nações Unidas por meio dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Objetivou-se analisar a tendência temporal da Razão de Mortalidade Materna (RMM) e o perfil epidemiológico dos óbitos maternos na Baixada Maranhense, Brasil. Métodos: Estudo de análise de série temporal, que incluiu todos os óbitos maternos notificados na Baixada Maranhense, no período de 2013 a 2022, obtidos a partir do Sistema de Informação de Mortalidade disponibilizados pelo Departamento de Informação e Informática do SUS (DATASUS). A análise estatística empregou modelagem por regressão linear generalizada de Prais-Winsten. Resultados: No período analisado notificaram-se 90 óbitos maternos. A RMM média foi de 98,6 óbitos maternos por 100.000 nascidos vivos (desvio padrão±23,83). Identificou-se tendência crescente estatisticamente significativa na RMM, com aumento médio anual de 6,18% (IC95%: 3,12−9,32; p<0,0001). Mulheres pardas (62,2%), na faixa etária de 20 e 29 anos (40,0%), solteiras (43,3%) e com 8 a 11 anos de estudos (58,9%), constituíram o principal grupo de vítimas. As síndromes hipertensivas (30,0%) e hemorragia pós-parto (13,3%) foram as principais causas de óbito. A maioria dos óbitos ocorreu durante a gravidez, parto ou puerpério (36,7%), sendo classificada como obstétrica direta (88,9%), ocorrida em hospitais (88,9%) e investigada (66,7%). Conclusão: A RMM permanece alta na Baixada Maranhense ainda distante do alcance das metas nacionais e internacionais, sendo sua redução um desafio.

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Biografia do Autor

  • Leila Camila Reis Pereira, Universidade Federal do Maranhão, Centro de Ciências Humanas, Naturais, Saúde e Tecnologia (CCHNST) -Pinheiro.

    Acadêmica de Enfermagem da Universidade Federal do Maranhão, Pinheiro, Maranhão, Brasil.

  • Kezia Cristina Batista dos Santos, Universidade Federal do Maranhão, Centro de Ciências Humanas, Naturais, Saúde e Tecnologia (CCHNST) -Pinheiro.

    Doutora em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Maranhão - UFMA (2023). Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal do Maranhão - UFMA (2020). Especialista em Saúde Coletiva pela Faculdade Unyleya (2019). Especialista em Saúde do Adulto e Idoso na área de concentração Clínicas Médica e Cirúrgica pela Residência Multiprofissional em Saúde do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão - RMS/HUUFMA (2018). Graduada em Enfermagem pela Universidade Ceuma - UNICEUMA (2016). Atualmente Professora Associada da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) do Curso de Enfermagem, Campus Pinheiro. Líder do Grupo de Estudo e Pesquisa em Saúde da Mulher, Neonatal, Infantil e do Adolescente - GEPSMNIA/UFMA. Coordenadora Docente da Liga Acadêmica de Enfermagem em Ginecologia e Obstetrícia da Baixada Maranhense (LAEGO-BM). Coordenadora de Projeto de Ensino de Monitoria em Saúde da Mulher/UFMA. Coordenadora de Grupo de Aprendizagem Tutorial: Maternagem, Trabalho e Saúde do Programa de Educação pelo Trabalho para Saúde (PET-Saúde) Equidade/UFMA Pinheiro. Membro do Grupo de Pesquisa em Saúde Coletiva/UFMA. Docente Colaboradora do Projeto de Extensão Saúde da Pele/UFMA. Revisora de Periódicos Científicos. Experiência e atuação nas linhas de pesquisa Saúde da Mulher e Obstetrícia, Saúde Coletiva, Atenção Primária à Saúde, Estratégia Saúde da Família, Vigilância em Saúde, Doenças Transmissíveis.

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Publicado

2026-03-13

Edição

Seção

ARTIGO ORIGINAL

Como Citar

Pereira, L. C. R., & Santos, K. C. B. dos. (2026). Tendência e perfil da mortalidade materna na Baixada Maranhense, 2013-2022: análise de série temporal. Revista De Epidemiologia E Controle De Infecção, 16. https://doi.org/10.17058/reci.v16i.20571