Adesão medicamentosa e qualidade de vida de pacientes com tuberculose multirresistente
DOI:
https://doi.org/10.17058/reci.v16i.19888Palavras-chave:
Tuberculose Multidroga Resistente, Adesão Medicamentosa, Qualidade de VidaResumo
Justificativa e Objetivos: O aumento de casos de tuberculose multirresistente (TB-MDR) está associado a desafios na adesão terapêutica e impactos na qualidade de vida (QV). Este estudo buscou avaliar a adesão medicamentosa e a QV de pacientes com TB-MDR. Métodos: Estudo transversal, descritivo e quantitativo, conduzido no Nordeste brasileiro, seguindo diretrizes STROBE. Participaram 50 pacientes submetidos a entrevistas com instrumento semiestruturado. A adesão foi avaliada pelo Brief Medication Questionnaire (BMQ). A QV foi mensurada pelo World Health Organization Quality of Life (WHOQOL-BREF). Resultados: A maioria dos participantes era do sexo masculino (56%), 18-45 anos (60%), negros (86%), solteiros (58%), com renda ≤ 1 salário-mínimo (98%) e ensino médio incompleto (68%). Conforme o BMQ, 80% dos pacientes apresentavam adesão ao tratamento; 80%, potencial adesão para o regime; 82% foi negativo para barreiras de crenças; e 92% foi negativo para barreiras de recordação. Conforme a WHOQOL-BREF, 50% dos entrevistados consideraram que sua QV não era ruim, nem boa. Ao considerar os resultados por domínios, obteve-se uma variação de 1,63 a 3,59 nas médias. O domínio das relações sociais apresentou a menor média (1,63±0,662) de pontos. Já a maior média foi obtida no domínio psicológico (3,59±0,958). Conclusão: Evidenciou-se alta adesão terapêutica conforme critérios do BMQ, contrastando com disparidades na QV, especialmente no domínio relacional. Os dados reforçam a necessidade de intervenções psicossociais direcionadas, visando mitigar as lacunas identificadas e garantir a sustentabilidade do tratamento.
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