Projeto “Direto ao ponto”: uma experiência do cuidado ao adolescente
DOI:
https://doi.org/10.17058/psiunisc.v10i.19030Palavras-chave:
atenção primária à saúde, saúde do adolescente, educação sexual, promoção da saúdeResumo
Introdução: O projeto “Direto ao Ponto”, que será relatado nesse estudo, surgiu da articulação entre o serviço de saúde e escolas locais, motivada pela baixa adesão do público adolescente à Unidade de Saúde e pelos elevados índices de infecções sexualmente transmissíveis (IST) e gravidez não intencional na realidade desse público. Objetivo: apresentar a experiência de cuidado aos adolescentes na Atenção Básica (AB), em uma Unidade de Saúde da Família localizada em um território de vulnerabilidade social. Método: trata-se de um relato de experiência pautado nos pressupostos da Promoção à Saúde e da Educação Popular em Saúde. A intervenção consistiu em rodas de conversa guiadas por perguntas anônimas dos estudantes e pelo uso pedagógico de uma “caixa” com recursos de saúde sexual (modelos pélvicos e contraceptivos). A linguagem utilizada pelas profissionais buscava simetria com o vocabulário juvenil, favorecendo o protagonismo, o vínculo e a confiança. Resultados: observou-se uma redução de 25% nas taxas de gravidez na adolescência no território e o aumento da procura espontânea dos jovens pela Unidade de Saúde. Conclusão: embora a estratégia tenha demonstrado alta resolutividade e impacto epidemiológico, sua sustentabilidade enfrenta desafios como o tabu social sobre a sexualidade e a necessidade de maior suporte institucional para o trabalho intersetorial.
Downloads
Referências
Araújo, K. C., Souza, A. C., Silva, A. D., & Weis, A. H. (2022). Tecnologias educacionais para abordagens de saúde com adolescentes: revisão integrativa. Acta Paulista de Enfermagem, 35, eAPE003682. Recuperado de https://www.scielo.br/j/ape/a/qjXn5qJPLyKysmr5V8jpjrB/?format=pdf&lang=pt
Backes, D. S., Pereira, A. D., Marchiori, M. T., Rupolo, I., Backes, M. T. S., & Büscher, A. (2015). Vínculo profissional-usuário: competência para a atuação na Estratégia Saúde da Família. Avances en Enfermería, 33(2), 222-229. Recuperado de http://www.scielo.org.co/pdf/aven/v33n2/v33n2a04.pdf
Barros, R. P., Holanda, P. R. C. M., Sousa, A. D. S., & Apostolico, M. R. (2021). Necessidades em Saúde dos adolescentes na perspectiva dos profissionais da Atenção Primária à Saúde. Ciência & Saúde Coletiva, 26(2), 425–434. https://doi.org/10.1590/1413-81232021262.40812020
Belotti, M., Iglesias, A., & Avellar, L. Z. (2019). Análise documental sobre as normativas do trabalho no Núcleo Ampliado de Saúde da Família. Psicologia: Ciência e Profissão, 39, e185025. https://doi.org/10.1590/1982-3703003185025
Câmara Municipal de Vitória (2018). Projeto de decreto regulamentar: Infância sem pornografia no município de Vitória.
Ferrari, R. A. P., Thomson, Z., & Melchior, R. (2008). Adolescência: ações e percepção dos médicos e enfermeiros do Programa Saúde da Família. Interface - Comunicação, Saúde, Educação, 12(25), 387-400. Recuperado de https://www.scielo.br/j/icse/a/QLP7qyvhVVxsFTkrxSC96BR/?format=pdf&lang=pt
Fiocruz. (2025). Dados e indicadores da saúde dos adolescentes no Brasil. Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira. Portal de Boas Práticas. Recuperado de https://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/atencao-adolescente/dados-e-indicadores-dasaude-dos-adolescentes-no-brasil/
Fittipaldi, A. L. M., O’Dwyer, G., & Henriques, P. (2024). Educação em saúde na atenção primária: um olhar sob a perspectiva dos usuários do sistema de saúde. Saúde e Sociedade, 32(4), e211009pt. https://doi.org/10.1590/S0104-12902023211009pt
Formigli, V. L. A., Costa, M. C. O., & Porto, L. A. (2000). Avaliação de um serviço de atenção integral à saúde do adolescente. Cadernos de Saúde Pública, 16(3), 831-841. https://doi.org/10.1590/S0102-311X2000000300031
Fundação Abrinq. (2019, 3 de junho). Projeto reconhecido pela Fundação Abrinq reduz em 25% a gravidez na adolescência em bairro de Vitória (ES).
Iglesias, A. (2009). Em nome da promoção à saúde: análise das ações em unidade de saúde da macrorregião de Maruípe Vitória - ES [Dissertação de mestrado, Universidade Federal do Espírito Santo].
Jeolás, L. S., & Ferrari, R. A. P. (2003). Oficinas de prevenção em um serviço de saúde para adolescentes: espaço de reflexão e de conhecimento compartilhado. Ciência & Saúde Coletiva, 8(2), 611-620. Recuperado de https://www.scielo.br/j/csc/a/YFwHJqVCqgqw4dQx5f3KqKm/?format=pdf&lang=pt
Martins, M. M. F., Prado, N. M. B. L., Amorim, L. D. A. F., Vilasbôas, A. L. Q., & Aquino, R. (2024). Ações intersetoriais e o reconhecimento de uma fonte de cuidado da atenção primária por adolescentes brasileiros. Cadernos de Saúde Pública, 40(10), e00195923. https://doi.org/10.1590/0102-311XPT195923
MC TH. (2016, 15 de janeiro). Festa da árvore (Alex da Baixada, Terrorista e Rei Delas) [Arquivo de vídeo]. Recuperado de https://youtu.be/FUGe23GW8e8?si=uoYaa1KsskG_4VA1
Ministério da Saúde (2012a). Política Nacional de Atenção Básica. Secretaria de Atenção à Saúde. Recuperado de https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/esf/consultorio-na-rua/arquivos/2012/politica-nacional-de-atencao-basica-pnab.pdf/@@download/file
Ministério da Saúde (2012b). Política Nacional de Educação Popular em Saúde. Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa. Recuperado de http://www.crpsp.org.br/diverpsi/arquivos/pneps-2012.pdf
Ministério da Saúde (2022a). Caderno do gestor do PSE (2ª ed.). Recuperado de http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/caderno_gestor_pse_2022.pdf
Ministério da Saúde. (2022b). Nota Técnica nº 2/2022-COSAJ/CGCIVI/DAPES/SAPS/MS: Recomendações para o atendimento ao adolescente na APS.
Ministério da Saúde. (2024). Caminhos para a construção de uma educação sexual transformadora. Brasília: Recuperado de https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/caminhos_construcao_educacao_sexual_transformadora.pdf
Ministério da Saúde. (2025). III Caderno de Educação Popular em Saúde. Recuperado de https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/III_caderno_educacao_popular_saude.pdf
Monteiro, S. S., Leal, A. F., Barbosa, R. M., Magno, L., Neves, A. L. M., Honorato, I. B., & Knauth, D. R. (2025). Saúde sexual e reprodutiva de adolescentes e jovens: identificação de demandas e experiências a partir de estudo qualitativo em comunidades de cinco cidades brasileiras. Cadernos de Saúde Pública, 41(4), e00047824. https://doi.org/10.1590/0102-311XPT047824
Moraes, S. P., & Vitalle, M. S. S. (2015). Direitos sexuais e reprodutivos na adolescência: interações ONU-Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, 20(8), 2523-2531. https://doi.org/10.1590/1413-81232015208.03112014
Nunes, B. P. (2013). Acesso aos serviços de saúde em adolescentes e adultos na cidade de Pelotas - RS [Dissertação de mestrado, Universidade Federal de Pelotas].
Oliveira, K. S., Baduy, R. S., & Melchior, R. (2019). O encontro entre Núcleo de Apoio à Saúde da Família e as equipes de Saúde da Família: a produção de um coletivo cuidador. Physis: Revista de Saúde Coletiva, 29(4), e290403. https://doi.org/10.1590/S0103-73312019290403
Portaria nº 2.761, de 19 de novembro de 2013. Institui a Política Nacional de Educação Popular em Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (PNEPS-SUS). Ministério da Saúde, Gabinete do Ministro. Recuperado de https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2013/prt2761_19_11_2013.html
Sayão, R. (1997). Saber o sexo? Os problemas da informação sexual e o papel da escola. In J. G. Aquino (Org.), Sexualidade na escola: alternativas teóricas e práticas (pp. 97-105). Summus.
Secretaria Municipal de Saúde (2019). Análise situacional de saúde no município de Vitória: Sífilis.
Silva, R. (2021). Câmara de Vitória quer que pais “autorizem” conteúdo escolar para “coibir pornografia”. A Gazeta.
Silva, R. L., Anders, J. C., Zanatta, E. A., Souza, A. I. J., & Sicsu, E. S. (2024). Necessidades de saúde dos adolescentes na atenção primária à saúde: percepção dos profissionais de saúde. Revista da Sociedade Brasileira de Enfermagem Pediátrica, 24, eSOBEP2024401. Recuperado de https://journal.sobep.org.br/wp-content/uploads/articles_xml/2238-202X-sobep-24-eSOBEP2024401/2238-202X-sobep-24-eSOBEP2024401.x46144.pdf
Unicef. (2018). Trajetórias plurais – práticas que contribuem para a redução da gravidez não intencional na adolescência. Recuperado de https://www.unicef.org/brazil/relatorios/trajetorias-plurais
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
A submissão de originais para este periódico implica na transferência, pelos autores, dos direitos de publicação impressa e digital. Os direitos autorais para os artigos publicados são do autor, com direitos do periódico sobre a primeira publicação. Os autores somente poderão utilizar os mesmos resultados em outras publicações indicando claramente este periódico como o meio da publicação original. Em virtude de sermos um periódico de acesso aberto, permite-se o uso gratuito dos artigos em aplicações educacionais e científicas desde que citada a fonte conforme a licença CC-BY da Creative Commons.

