Notificações de violência sexual e uso de álcool em Minas Gerais entre 2018 e 2022
DOI:
https://doi.org/10.17058/reci.v15i4.19975Palavras-chave:
Violência Sexual, Abuso de álcool, Sistemas de informação em saúdeResumo
Justificativa e Objetivos: A violência sexual é um grave problema de saúde pública. A intoxicação pelo álcool age como fator de risco para sua ocorrência, pois afeta tanto a capacidade das vítimas de se defenderem quanto as inibições dos agressores, que tendem a mal interpretar sinais sociais e agir com maior agressividade. Este estudo objetivou descrever as características epidemiológicas das notificações de violência sexual com suspeita de associação ao consumo de álcool, no estado de Minas Gerais, entre os anos de 2018 e 2022. Métodos: Caracteriza-se por um estudo descritivo, com análise dos dados a partir do perfil epidemiológico coletados por meio das notificações de violência sexual com suspeita de uso de álcool, em Minas Gerais, com base em dados secundários do SINAN coletados pela SES/MG por meio do Tabnet. Resultados: A maioria das notificações de violência sexual envolveu mulheres (92,71%), com maior incidência na faixa etária de 20 a 29 anos (24,30%). Em relação à escolaridade, uma parcela significativa dos registros estava incompleta ou em branco (25%). O estupro foi o tipo de violência mais prevalente (74,60%). A maioria das vítimas não recebeu atendimento adequado, sendo a coleta de sangue o procedimento mais realizado (40,89%). Os agressores eram predominantemente homens (95,66%), agindo sozinhos na maioria dos casos (74,56%), com a maior parte sendo amigos ou conhecidos da vítima (31,41%). Conclusão: O estudo reforça a urgência de políticas públicas que previnam o consumo excessivo de álcool e apoiem vítimas de violência sexual, além da necessidade de capacitar profissionais para melhorar o preenchimento de notificações e fortalecer as ações preventivas.
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