JORNADA, TECNOLOGIA E FLEXIBILIZAÇÃO: DO CONTROLE DO TEMPO À DISPONIBILIDADE PERMANENTE
DOI:
https://doi.org/10.17058/rdunisc.vi78.21188Resumo
Este artigo analisa a transição da métrica de trabalho “corpo-espaço” — centrada na presença física do trabalhador em um espaço produtivo durante períodos contínuos — para a métrica “conectividade-metas”, marcada pela disponibilidade permanente e pelo cumprimento de metas. Parte-se da hipótese de que essa mudança permite a coexistência entre elevada produtividade tecnológica e a intensificação da exploração do tempo de trabalho, aproximando-se de padrões pré-fordistas. A pesquisa adota abordagem qualitativa, de natureza teórico-analítica, com revisão bibliográfica e documental sobre Direito do Trabalho, sociologia do trabalho e economia política. A análise evidencia que a lógica da conectividade permanente desloca o controle da jornada para formas difusas de gestão da disponibilidade, reconfigurando a tutela jurídica do tempo de trabalho e ampliando microtempos de labor não remunerados, como exemplificado nos contratos intermitentes e na jornada de “zero hora”. Conclui-se que, sem atualização normativa e cultural, a modernização tecnológica tende a coexistir com a intensificação silenciosa da exploração do trabalho.