Panorama da cultura alimentar de comunidades quilombolas do Cerrado brasileiro
DOI:
https://doi.org/10.17058/agora.v27i2.20822Palavras-chave:
cultura alimentar, quilombola, biodiversidade, CerradoResumo
O ato de comer ultrapassa a função biológica, configurando-se também como um fenômeno cultural, simbólico e identitário. A partir desse conceito, este artigo tem como objetivo analisar e descrever a cultura alimentar de comunidades quilombolas situadas no bioma Cerrado. A pesquisa foi desenvolvida a partir de uma revisão narrativa, que buscou identificar e interpretar criticamente estudos acadêmicos sobre o tema. O levantamento bibliográfico contemplou publicações disponíveis em bases científicas nacionais entre janeiro e março de 2024, empregando descritores combinados relacionados à cultura alimentar, quilombola e Cerrado, tanto em português quanto em inglês. Essa abordagem permitiu reunir diferentes perspectivas teóricas e reconhecer tendências e lacunas na produção acadêmica voltada a esse campo. Os resultados indicam que essas comunidades, organizadas majoritariamente em torno da auto-subsistência, detêm amplo conhecimento sobre a natureza, expressando práticas alimentares fortemente vinculadas aos territórios, às histórias locais e à biodiversidade. Observou-se um conjunto restrito de estudos voltados especificamente para comunidades quilombolas do Cerrado, com maior concentração de dados nos estados de Goiás, Mato Grosso, Tocantins e Minas Gerais. Além disso, identificou-se que fatores como a perda de território e a degradação ambiental têm influenciado negativamente a diversidade alimentar dessas populações. A cultura alimentar quilombola, portanto, representa não só um modo de vida, mas também um reflexo da sua resistência, que se manifesta na manutenção de saberes tradicionais e no uso sustentável de recursos naturais.
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