Escrevivência como poética de processo: Mem´ória, ficção e composição narrativa em Olhos d'água, de Conceição Evaristo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.17058/signo.v51i102.21402

Palavras-chave:

Conceição Evaristo, Escreviência, Escrita criativa, Memória, Ficção

Resumo

Este artigo analisa a escrevivência como poética de processo na coletânea Olhos d’água, compreendendo-a não apenas como categoria temática ou gesto de afirmação autoral, mas como procedimento de composição narrativa. Parte-se da hipótese de que, nos contos da autora, memória, experiência, ficção e história coletiva não aparecem como camadas exteriores umas às outras, mas como materiais integrados ao próprio fazer literário. Para desenvolver essa hipótese, examinam-se três contos da coletânea: “Olhos d’água”, “Maria” e “A gente combinamos de não morrer”. Discute-se como voz narrativa, focalização, personagens, tempo e espaço transformam vivências individuais e coletivas em forma ficcional. O estudo articula discussões sobre escrita criativa, crítica de processo, memória, literatura afro-brasileira e escritas de si a passagens específicas dos contos analisados. Defende-se que a obra permite compreender o processo criativo como trabalho de transfiguração, no qual marcas históricas, afetivas e sociais são reorganizadas por escolhas formais de alta densidade estética e política.

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Biografia do Autor

  • Prof. Me. Hélio Moïse Rodrigues Viana, Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG)

    Doutorando em Estudos de Linguagens pelo CEFET-MG, desenvolve pesquisa sobre epistolografia e redes literárias em Machado de Assis. Mestre pela mesma instituição, com dissertação voltada à tradução literária. Graduado em Letras com ênfase em Tecnologias de Edição e licenciado em Língua Portuguesa pelo Programa Especial de Formação de Docente do CEFET-MG. Possui publicações acadêmicas e atuação em projetos de pesquisa com apoio da CAPES, CNPq e FAPEMIG. Fluente em inglês e francês. Interessa-se também pela gestão da educação e pelas interfaces entre linguagem, ensino e políticas educacionais.

  • Prof. Dr. Luiz Henrique Silva de Oliveira, Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG)

    Luiz Henrique Silva de Oliveira é doutor em Teoria da Literatura e Literatura Comparada pela UFMG (2013), onde também concluiu Pós-Doutorado em Estudos Literários. Na mesma instituição, realizou o mestrado (2007) em Teoria da Literatura e a Graduação em Letras, Língua Portuguesa (2004). Atuou como Técnico de Nível Superior (Literatura) no Departamento de Bibliotecas e Promoção da Leitura da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte (2010). Foi Diretor da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte (2011-2012) e Chefe do Departamento de Planejamento da referida Fundação (2013). Atualmente, é Professor do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagens, da Graduação em Letras (Tecnologias da Edição) e do Ensino Médio do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG). Coordenador do Grupo Interdisciplinar de Estudos do Campo Editorial (GIECE). Integrante do Núcleo de Estudos Interdisciplinares da Alteridade (NEIA/UFMG). Membro do Comitê Gestor do Portal Literafro. Autor de Poéticas negras (2010) e Negrismo (2014). Tem atuado principalmente nos seguintes temas: negrismo; literatura (afro)brasileira; edição, história e memória cultural.

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Publicado

2026-09-28

Edição

Seção

v. 51, n. 102, 2026 - Escrita Criativa – teoria e processos

Como Citar

Rodrigues Viana, H. M., & Silva de Oliveira, L. H. (2026). Escrevivência como poética de processo: Mem´ória, ficção e composição narrativa em Olhos d’água, de Conceição Evaristo. Signo, 51(102), 39-50. https://doi.org/10.17058/signo.v51i102.21402