Caminho para o sim do mundo: a criação de um romance
DOI:
https://doi.org/10.17058/signo.v51i102.21473Palabras clave:
Romance, Escrita criativa, Fabulação crítica, Tinta da BahiaResumen
Este ensaio analisa o processo de criação do romance Tinta da Bahia (2026) e investiga as relações entre pesquisa historiográfica, memória e fabulação crítica na construção de uma narrativa ficcional. Tomando como eixo a trajetória da personagem Aziri Dagwa, mulher africana sequestrada e escravizada no Brasil do século XIX, discute-se como a escrita literária articula documentos históricos, poesia, epistemologias afro-diaspóricas, pensamento feminista negro e estudos contra colonizadores para elaborar personagens e vozes narrativas que desafiam as representações hegemônicas da experiência negra. O ensaio examina as escolhas teóricas e estéticas que orientaram a composição do romance, especialmente a elaboração de Chica d’Água como personagem-narradora em primeira pessoa, cuja voz opera como um eco de memórias. Ao problematizar os silêncios dos arquivos e as imagens coloniais da mulher negra na literatura brasileira, a reflexão defende a escrita como prática de deslocamento de perspectivas, tempos e espaços, capaz de tensionar leituras canônicas e ampliar os horizontes do imaginário literário. Conclui-se que Tinta da Bahia mobiliza a fabulação crítica como procedimento de criação voltado à restituição da complexidade de sujeitos historicamente estereotipados, afirmando a literatura como espaço de linguagem possível de reimaginar o mundo.
Descargas
Referencias
ALMEIDA, Djaimilia Pereira. O que é ser uma escritora negra hoje, de acordo comigo: ensaios. São Paulo: Todavia, 2023.
ANZALDÚA, Glória. Falando em línguas: uma carta para mulheres escritoras do terceiro mundo. Trad. Edna de Marco. Revista Estudos Feministas, v. 8, n. 1, p. 229-236, 2000.
APARECIDA, Luciany. Modelos vivos em uso: Poesia e performance de Ricardo Aleixo (em) um exercício crítico de literatura contemporânea. 2015. 254 f. Tese (Doutorado em Letras) - Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2015.
APARECIDA, Luciany. Mata Doce. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2023.
APARECIDA, Luciany. Como escrever um romance. In: PEREIRA, Moema Vilela (org.). Escrever o romance: ensaios sobre criação literária. Porto Alegre: Editora Zouk, 2025. p.109-119.
APARECIDA, Luciany. Tinta da Bahia. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2027. (no prelo)
BACHELARD, Gaston. Instante poético e instante metafísico. In: BACHELARD, Gaston. O direito de sonhar. 4.ed. Tradução: José. A. M. Pessanha et alli. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1994.
BHABHA, Homi K. O local da cultura. Trad. Myriam Ávila, Eliana Lourenço de Lima Reis, Gláucia Renate Gonçalves. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2007.
BOSI, Ecléa. Memória e sociedade: lembrança de velhos. São Paulo: Companhia das letras, 2004.
BRAND, Dionne. Salvamento. Rio de Janeiro: Zahar, 2025.
BRASIL, Luiz Antonio de Assis. Escrever ficção: um manual de criação literária. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
CARRASCOSA, Denise. Corpo de vento: Exu da teoria. Salvador: EDUFBA, 2024.
DAVIS, Angela. Mulheres, raça e classe. Trad. Heci Regina Candiani. São Paulo: Boitempo, 2016.
FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. 43º ed. Rio de Janeiro. Paz e Terra, 2018.
GLISSANT, Eduard. Poética da relação. Tradução: Marcela Vieira e Eduardo Jorge de Oliveira. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2021.
GONÇALVES, Ana Maria. Um defeito de cor. 10º ed. São Paulo: Editora Record, 2014.
GONZÁLEZ, Betina. A obrigação de ser genial. Trad. Silvia Missimini Felix. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2024.
GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano: ensaios, intervenções e diálogos. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.
HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Trad. Tomaz Tadeu da Silva e Guacira Lopes Louro. Rio de Janeiro: DP&A Editora, 2002.
HARTMAN, Saidiya. Vênus em dois atos. Revista Eco-Pós, [S. l.], v. 23, n. 3, p. 12–33, 2020. DOI: 10.29146/eco-pos.v23i3.27640. Disponível em: https://revistaecopos.eco.ufrj.br/eco_pos/article/view/27640. Acesso em: 02 jul. 2026.
HOOKS, Bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática de liberdade. Trad. Marcelo Brandão Cipolla. 2. ed. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2017.
IVO, Isnara Pereira. Homens de caminhos: trânsitos, comércio e cores nos sertões da América portuguesa – século XVIII. 2009. Tese (doutorado) – Programa de Pós Graduação em História/UFMG, Belo Horizonte, MG.
LIMA, Conceição. A dolorosa raiz do Micondó. Lisboa: Banco Equador, 2012.
LORDE, Audre. A Transformação do silêncio em linguagem e ação. In: Geledés – Instituto da Mulher Negra. 2015. <https://www.geledes.org.br/a-transformacao-do-silencio-em-linguagem-e-acao/>. Acesso em: 20 de jul. de 2019
MARTINS, Leda Maria. Performances do tempo espiralar: poéticas do corpo-tela. Rio de Janeiro: Cobogó, 2021.
OXÓSSI, Mãe Stella. ÒWE. África, Salvador, 2007.
POLESSO, Natalia Borges. Lésbicas até no fim do mundo: uma proposta para a composição de novos imaginários. Revista Brasileira de Estudos da Homocultura, [S. l.], v. 8, n. 23, 2026. DOI: 10.29327/2410051.8.23-57. Disponível em: https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/rebeh/article/view/19776. Acesso em: 28 jun. 2026.
SALLES, Cecília Almeida. Gesto inacabado: processo de criação artística. São Paulo: Intermeios, 2013.
SANTIAGO, Silviano. Uma literatura nos trópicos. Rio de janeiro: Rocco, 2000.
SANTOS, Silvana Andrade dos. Tecido pela escravidão: tráfico e indústria na Fábrica Têxtil Todos os Santos (Bahia, c.1840-1870). São Paulo: Editora Hucitec, 2023.
SOUZA, Florentina da Silva. Afro-descedência em cadernos negros e Jornal do MNU. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.
TODOROV, Tzvetan. As categorias da narrativa literária. In: BARTHES, Roland et al. Análise estrutural da narrativa. Trad. Maria Zélia Barbosa Pinto. Petrópolis-RJ: Editora Vozes LTDA, 1971. p. 209-254.
Descargas
Publicado
Número
Sección
Licencia
Declaro(amos) que o artigo submetido é pessoal, inédito, não representando reprodução, ainda que parcial, de obras de terceiros, assumindo a responsabilidade por todas as colocações e conceitos emitidos, bem como também autorizo(amos) sua publicação pela revista Signo, Universidade de Santa Cruz do Sul. Declaro(amos) exonerar a APESC/UNISC de todas e quaisquer responsabilidades, e indenizá-la por perdas e danos que venha a sofrer em caso de contestação (da originalidade e dos conceitos e ideias); Declaro(amos), caso o artigo seja aceito e publicado pela revista Signo, a cedência e transferência de forma definitiva e perpétua, irrevogável e irretratável, para a APESC, dos seus direitos autorais patrimoniais referentes ao artigo denominado nesta declaração, para utilização da APESC em finalidade educacional. Concordo(amos) e estou(amos) ciente(s) de que a publicação eletrônica é de livre acesso, regida com uma Licença Os autores que publicam na Signo retêm os direitos autorais de seu trabalho, licenciando-o sob a Creative Commons Attribution License que permite que os artigos sejam reutilizados e redistribuídos sem restrições, desde que o trabalho original seja corretamente citado. A Signo é propriedade da Associação Pró-Ensino em Santa Cruz do Sul e hospeda na plataforma Open Journal System. Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.