Escrevivência como poética de processo: Mem´ória, ficção e composição narrativa em Olhos d'água, de Conceição Evaristo
DOI:
https://doi.org/10.17058/signo.v51i102.21402Palavras-chave:
Conceição Evaristo, Escreviência, Escrita criativa, Memória, FicçãoResumo
Este artigo analisa a escrevivência como poética de processo na coletânea Olhos d’água, compreendendo-a não apenas como categoria temática ou gesto de afirmação autoral, mas como procedimento de composição narrativa. Parte-se da hipótese de que, nos contos da autora, memória, experiência, ficção e história coletiva não aparecem como camadas exteriores umas às outras, mas como materiais integrados ao próprio fazer literário. Para desenvolver essa hipótese, examinam-se três contos da coletânea: “Olhos d’água”, “Maria” e “A gente combinamos de não morrer”. Discute-se como voz narrativa, focalização, personagens, tempo e espaço transformam vivências individuais e coletivas em forma ficcional. O estudo articula discussões sobre escrita criativa, crítica de processo, memória, literatura afro-brasileira e escritas de si a passagens específicas dos contos analisados. Defende-se que a obra permite compreender o processo criativo como trabalho de transfiguração, no qual marcas históricas, afetivas e sociais são reorganizadas por escolhas formais de alta densidade estética e política.
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