Crime se julga pelo gênero: análise das representações midiáticas de Monique Medeiros
DOI:
https://doi.org/10.17058/psiunisc.v9i.19388Palavras-chave:
maternagem, estudos de gênero, crime, maus-tratos infantis, comportamento criminosoResumo
Introdução: Trata-se de pesquisa qualitativa que teve como objetivo analisar notícias veiculadas no Portal G1 e publicadas entre março e abril de 2021 sobre Monique Medeiros, mãe acusada de ser cúmplice do assassinato do filho, Henry Borel. Objetivo: Objetivou-se analisar como as perfomatividades de gênero se encontram na construção do discurso jornalístico e social a partir da perspectiva teórica dos estudos de gênero. Método: Foram coletadas 146 notícias das quais 74 foram utilizadas após empregar critérios de exclusão. Posteriormente, aplicou-se a Análise de Conteúdo de Bardin, que resultou na criação de 3 categorias. Resultados: As categorias identificadas foram: a mãe conivente, fria e negligente; a mãe maliciosa, vaidosa e gananciosa; e a mãe presa. Conclusão: A partir dessas categorias foi possível analisar como a mídia retrata mulheres omissas e agressoras com os filhos e que acabam por ter sua identidade questionada enquanto mulher e mãe, além de passarem por processos de psiquiatrização e judicialização distintos dos atribuídos socialmente aos homens.
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