Corpos, frutos e festas: processos criativos e as performances estranhas do poema no contemporâneo

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.17058/signo.v51i102.21397

Palabras clave:

Escrita criativa, performances do poema, poéticas contemporâneas, processos metodológicos, Festa Estranha

Resumen

O presente ensaio discute as formas multiartísticas do poema no contemporâneo por meio da triangulação de três elementos caracterizados como estranhos: os corpos, os frutos e as festas (Aleixo, 2025; Garramuño, 2014; Mattos, 2025). A partir da noção de que o poema é composto por diferentes performances (escrita, vocal, corporal, cênica, audiovisual, etc.), sendo nenhuma mais definitiva ou importante do que a outra, articulo os conceitos sobre performances do poema e arte inespecífica como destilações da experiência (Lorde, 2021) do mundo disfórico (Preciado, 2023) em que essas poesias são produzidas. O corpus de análise principal é a performance poética-teatral Festa Estranha, que explora a imagem para além da página, dando corpo ao poema, acessando outras ferramentas que ampliam os jogos de opostos (Paz, 1996) e criando mais fricção, além de senso de coletividade, não só durante o processo criativo de construção da apresentação, mas também com o público-leitor. Corpos, frutos e festas são elementos estranhos que agem como dispositivos literários/artísticos (Polesso, 2026) de criação de novos mundos e realidades que exploram temáticas de grupos cuír/queer (Nascimento, 2019), LGBTQIAPN+, marginalizados e/ou dissidentes. Festa Estranha devolve as estranhezas que cercam o contemporâneo, não só nas novas formas de fazer poesia, mas também nos dilemas e vivências daqueles que são afetados por políticas de mundificação heterociscoloniais.

Descargas

Los datos de descarga aún no están disponibles.

Biografía del autor/a

  • Clarisse Garrido, PUCRS

    Clarisse Garrido Botelho da Silva é poeta, pesquisadora e professora formada em Literatura Inglesa (UERJ). É mestranda em Escrita Criativa (PUCRS/CAPES) e é integrante do projeto de extensão "Poéticas da Experimentação" (UERJ) e vinculada ao grupo de pesquisa "Atlas do Antropoceno" (PUCRS). Sua pesquisa articula as performances do poema, erotismo, autorias lésbicas e antropoceno. Ministra oficinas de escrita criativa pelo projeto Poeticagens, por onde publicou dois zines, além de estar desenvolvendo seu primeiro livro de poesia.

Referencias

ALEIXO, Ricardo. Dendorí: dar corpo ao poema -- e vice-versa. São Paulo: Círculo de Poemas, 2025.

BARBOSA, Plínio A. Prosódia. São Paulo: Parábola, 2019.

BATAILLE, Georges. O erotismo. Trad. Antonio Carlos Viana. Porto Alegre: L&PM, 2012.

BERNSTEIN, Charles. My way: speeches and poems. Chicago: The University of Chicago Press, 1999.

BOTELHO DA SILVA, Clarisse G.; LIMA, Ruan. F. M. “O inclassificável Parque das Ruínas”. SCRIPTA ALUMNI, v. 28, p. 100-111, 2025.

DIDI-HUBERMAN, Georges. Sobrevivência dos vaga-Iumes. Trad. Vera Casa Nova, Márcia Arbex. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2011.

GARCIA, Marília. Pensar com as mãos. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2025.

GARRAMUÑO, Florencia. Frutos estranhos: sobre a inespecificidade na estética contemporânea. Trad. Carlos Nougué. Rio de Janeiro: Rocco, 2014.

GREINER, Christine. Corpos crip: instaurar estranhezas para existir. São Paulo: n-1 edições. 2023.

LORDE, Audre. Irmã outsider: Ensaios e conferências. Trad. Stephanie Borges. Belo Horizonte: Autêntica, 2021.

LUDMER, Josefina. Aqui América latina: uma especulação. Trad. Rômulo Monte Alto. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2013.

MARTINS, Leda Maria. Performances do tempo espiralar, poéticas do corpo-tela. Rio de Janeiro: Cobogó, 2021.

MATTOS, Lucas. Na estrada. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2025.

NASCIMENTO, Tatiana. cuírlombismo literário: poesia negra lgbtqi desorbitando o paradigma da dor. São Paulo: n-1 edições. 2019.

PAZ, Octavio. A dupla chama: amor e erotismo. Trad. Wladyr Dupont. São Paulo: Sciciliano, 1994.

PAZ, Octavio. “A imagem”, Signos em rotação. São Paulo: Perspectiva, 1996. p. 37-50.

PEDROSA, Celia et al. Indicionário do contemporâneo. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2018.

POLESSO, Natalia Borges. “A literatura como dispositivo antropocênico: considerações acerca do processo criativo em corpos secos, a extinção das abelhas e perfeita tecnologia, de Natalia Borges Polesso”. Abusões, Rio de Janeiro, v. 24, n. 24, p. 459-482, 2024.

POLESSO, Natalia Borges. “Lésbicas até no fim do mundo: uma proposta para a composição de novos imaginários”. Revista Brasileira de Estudos da Homocultura, v. 8, n. 23, p. 1-16, 2026.

PRECIADO, Paul B. Dysphoria Mundi: o som do mundo desmoronando. Trad. Eliana Aguiar. Rio de Janeiro: Zahar, 2023.

RUFFEL, Lionel. Zum, zum, zum: estudo sobre o nome contemporâneo. Revista Celeuma, São Paulo, v. 2, n. 4, p. 3-23, mai. 2014.

STERZI, Eduardo. Juventude eterna: a poesia do mito e o mito do poeta. São Paulo: Círculo de Poemas, 2025.

ZUMTHOR, Paul. Introdução à poesia oral. Trad. Jerusa Pires Ferreira; Maria Lúcia Diniz Pochat; Maria Inês de Almeida. São Paulo: Editora Hucitec, 1997.

Publicado

2026-09-28

Número

Sección

v. 51, n. 102, 2026 - Escrita Criativa – teoria e processos

Cómo citar

Garrido, C. (2026). Corpos, frutos e festas: processos criativos e as performances estranhas do poema no contemporâneo. Signo, 51(102), 117-127. https://doi.org/10.17058/signo.v51i102.21397