Políticas para a sociobiodiversidade na Amazônia: o caso do crédito rural do Pronaf no norte brasileiro
DOI:
https://doi.org/10.17058/nsvt9521Palavras-chave:
Pronaf, Sociobiodiversidade., Bioeconomia amazônica, Agricultura familiar, Crédito rural.Resumo
Este artigo analisa em que medida o crédito rural do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) tem contribuído – ou não – para fomentar a sociobiodiversidade e a bioeconomia de base florestal na Amazônia brasileira. A pesquisa, por meio de uma metodologia exploratória e descritiva, combina dados do Censo Agropecuário de 2017 (IBGE/SIDRA) com microdados do SICOR/Banco Central do Brasil para a Região Norte, no período de 2015 a 2024, desagregando as operações do Pronaf por finalidade (custeio e investimento), atividade (agrícola e pecuária) e produtos (lavouras, criações convencionais e produtos da sociobiodiversidade). Os dados ressaltam a concentração quase que exclusiva do crédito de custeio e investimento na pecuária, cerca de 90% ao longo da série temporal sob análise, marginalizando culturas agrícolas e da sociobiodiversidade que receberam, no período mais favorável, menos de 10%. Diante disso, o crédito do Pronaf estaria financiando mais fortemente atividades que reforçam a institucionalização da terra e do gado como mercadorias centrais da economia regional, moldando rotinas produtivas e expectativas dos agricultores e restringindo o avanço de sistemas baseados na sociobiodiversidade.
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