Produção de biomassa e biocombustíveis de aviação: perspectivas regionais no Brasil
DOI:
https://doi.org/10.17058/1n73z037Resumo
Diante dos desafios de descarbonização, uma série de acordos internacionais têm buscado mitigar o problema, com foco nas áreas mais críticas. No setor de transportes, onde existem elevados níveis de emissões de CO2, o Brasil tem desenvolvido políticas e instrumentos destinados para a produção de combustíveis sustentáveis, a partir de biomassa. A biomassa é um material orgânico e tem sido utilizada como uma fonte energética limpa, sustentável e renovável. A legislação em discussão no país busca ampliar a produção de combustíveis sustentáveis para os segmentos atuais e iniciar a produção em novos segmentos, como aviação, a partir de 2027, a fim de atender as metas dos ODS. Considerando a experiência brasileira de produção de biocombustível veicular a partir da biomassa de cana-de-açúcar, essa matéria-prima tem sido apontada como uma rota viável para a produção de bioquerosene de aviação no país. Com uma estimativa preliminar da necessidade de produção de bioquerosene no Brasil, o presente artigo tem como objetivo identificar as localidades das regiões brasileiras com potencial para atender as futuras demandas de biocombustíveis sustentáveis para aviação, utilizando bagaço de cana-de-açúcar. A partir da construção do indicador de especialização de Quociente Locacional (QL) para a produção de biomassa em cada estado do Brasil, além dos estados que apresentam o maior volume de produção – São Paulo, Minas Gerias, Goiás e Mato Grosso do Sul – foi identificada uma concentração na região Nordeste, representando um potencial para uma das regiões mais pobres do país, especialmente, nos estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Sergipe. Esses resultados apontam localidade com capacidades pré-estabelecidas para atender a produção de bioquerosene, trazendo uma indicação importante para o planejamento governamental de futuras demandas do setor de transporte.
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