Entre o pão e o poder: a feminização da pobreza como expressão da colonialidade

Autores

DOI:

https://doi.org/10.17058/agora.v27i2.20789

Palavras-chave:

Feminização da pobreza; Colonialidade; Mulheres negras; Patriarcado; Direitos humanos.

Resumo

O presente artigo discute a feminização da pobreza como uma das expressões mais evidentes da colonialidade contemporânea, evidenciando como o patriarcado, o racismo e a desigualdade social se articulam na negação de direitos e na violação da dignidade humana. A partir de uma abordagem feminista, interseccional, decolonial e comprometida com os direitos humanos, busca-se compreender a pobreza e a fome não como fenômenos naturais, mas como instrumentos de controle e exclusão que afetam de maneira mais intensa as mulheres negras. Metodologicamente, o estudo adota uma perspectiva qualitativa e teórico-crítica, voltada à análise das estruturas históricas e sociais que sustentam essas desigualdades. Conclui-se que a feminização da pobreza não é apenas um reflexo da desigualdade econômica, mas também uma manifestação estruturada da interseção entre gênero, raça e classe, reforçando a necessidade de políticas públicas e ações sociais que considerem essas dimensões. Para enfrentar essas desigualdades, é imprescindível reconhecer e valorizar o trabalho das mulheres negras, promover a equidade salarial, garantir acesso a direitos básicos e fortalecer estratégias que rompam com os ciclos de exclusão histórica, avançando rumo a uma sociedade mais justa e igualitária.

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Biografia do Autor

  • Mayara Grasiella Silvério, PONTIFICIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ

    Advogada e Contadora. Mestranda em Direitos Humanos e Políticas Públicas, pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC PR) - Campus Curitiba; Pós-graduada em Direito Empresarial, Planejamento Sucessório e Inovações Digitais, pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC PR) - Campus Londrina; Graduada em Direito e pesquisadora do GEVIGE - Grupo de Estudos sobre Violências de Gênero da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC PR) - Câmpus Toledo. Graduada em Ciências Contábeis pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC PR) – Campus Toledo. MBA em Administração Financeira, Contábil e Controladoria, pelo Centro Universitário de Cascavel (UNIVEL). E-mail: mayaragrasiella@hotmail.com. Lattes:http://lattes.cnpq.br/957830150 1312173.

  • Jaci de Fátima Candiotto, Pontifícia Universidade Católica do Paraná - PUCPR

    Professora do Mestrado em Direitos humanos e Políticas Públicas (PUCPR) e do curso de Teologia da PUCPR. Editora-chefe da Revista Caderno Teológico PUCPR. Pós-doutorado no Institut Catholique de Paris, França (2014-2015). Doutorado em Teologia (2012) e Mestrado em Teologia (2008) pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Mestrado em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (2002), Bacharelado em Teologia pelo Studium Theologicum (1995), Licenciatura em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (1991). É professora convidada da Universidade Católica de Moçambique para o Doutorado em Humanidades. Membro do Grupo de Pesquisa Ecocultura e Ecofeminismo vinculado ao Centro de Investigação em Teologia e Estudos de Religião CITER - Universidade Católica Portuguesa Lisboa. Membro associado da Sociedade de Teologia e Ciências da Religião ? SOTER. Membro do Grupo de Estudos de Gênero e Religião - Mandrágora/Netmal. Vice-líder do Grupo de Pesquisa Teologia, Gênero e Educação. Tem experiência na área de Teologia sistemática, Antropologia cristã, Cultura Religiosa e Direitos Humanos. Atua principalmente nos seguintes temas: Antropologia cristã, Relações de gênero. Ecofeminismo. Suas últimas publicações estão concentradas nas relações entre Teologia e Gênero, Antropologia Teológica, História da teologia das mulheres na América Latina, Ecofeminismo e Direitos Humanos.

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Publicado

2026-04-22

Edição

Seção

Dossiê - Alimentação, Cultura e Sociedade

Como Citar

GRASIELLA SILVÉRIO, M. ., & Candiotto, J. de F. . (2026). Entre o pão e o poder: a feminização da pobreza como expressão da colonialidade. Ágora, 27(2). https://doi.org/10.17058/agora.v27i2.20789