Demarcating Angolan Portuguese in light of linguistic decoloniality and continuing the struggle for its representative designation: Angolês

Authors

DOI:

https://doi.org/10.17058/signo.v51i101.21094

Keywords:

Coloniality, Angolês, Slang, Prestigious Language, Decolonial

Abstract

The Portuguese spoken in Angola is the result of a historical contact between European Portuguese and Bantu languages. However, this language is systematically disqualified by colonialism as a deviation from the standard norm and pejoratively referred to as slang. This term has been perpetuated after independence, creating an internalization of linguistic inferiority among Angolans. Using a decolonial lens (Quijano, 2005; Mignolo, 2017), this work aims to demarcate Angolan Portuguese from the colonial perspective and advocate for the recognition of the term Angolês as the representative and legitimate designation of this language. Furthermore, it analyzes the mechanisms of linguistic oppression and proposes a redefinition of the concept of a prestigious language, in order to value Angolan cultural and linguistic identity. It is concluded that the adoption of the term Angolês represents an act of linguistic decolonization and cognitive justice, essential for the affirmation of angolan cultural identity and for overcoming the colonial structures that persist in the linguistic field.

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Author Biography

  • Makosa Tomás David, Universidade Federal de São Carlos

    Natural de Luanda – Angola, Makosa Tomás David é mestrando do Programa de Pós-graduação em Linguística da Universidade Federal de São Carlos - UFSCAR. Concluiu a sua graduação na Universidade Federal do Sul da Bahia - UFSB no curso de Licenciatura Interdisciplinar em Linguagens e Códigos e suas Tecnologias (29/11/2021-02/08/2025), onde ingressou por meio de transferência externa concedida pela sua antiga Universidade Agostinho Neto – UAN, Angola. Foi ex-intercambista da Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC no curso de Letras - Língua Portuguesa, em 2021, amparado pelo Programa Mobilidade da Associação de Universidades de Língua Portuguesa (AULP). Fez o Ensino Médio no Liceu nº 3088, em Luanda, onde fez o curso de Ciência Econômica e Jurídica (2017 – 2019). Em 2020, atou como professor formador de Língua Portuguesa para ingresso na universidade em sua comunidade do Kikolo-Angola. Foi um dos organizadores da Primeira Jornada Internacional de Estudos de Linguagem: Racismo Linguístico e Racismo nos Estudos da Linguagem realizado em Ilhéus no ano de 2022. Foi membro do grupo Estudos Raciais e Linguísticos na UESC (2022-2024) e do grupo de pesquisa Linguagem e Racismo na UFSB (2022-2024). Foi pesquisador e bolsista de iniciação científica da UFSB, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia – FAPESB, pesquisou sobre Racismo e Antirracismo no Ensino de Línguas no sul da Bahia - Ilhéus e Itabuna (2022 - 2024). Ministrou a oficina Diálogos Étnicos Raciais no Colégio Estadual de Salobrinho no ano de 2022, em Ilhéus, que tinha como tema África-Brasil: cultura e ancestralidade. Fez, em 2022, do curso de extensão “Curso Básico de Língua Inglesa e Interculturalidade”. Organizou a palestra intitulada” Uma resposta ao estímulo-resposta: como a teoria gerativista ajudou a linguística a compreender como se aprende uma língua" proferida pelo Dr. Carlos Felipe Pinto, realizada em 2022 (UFSB). Nos anos de 2022, 2023 e 2024 participou do 8º, 9º e 10º Congresso de Iniciação à Pesquisa, Criação e Inovação, realizado no campus Jorge Amado – UFSB, sendo que no primeiro ano conquistou o primeiro lugar, no segundo e no terceiro foi reconhecido com o Prêmio Destaque de Iniciação Científica e Tecnológica na UFSB, com a pesquisa Racismo e Antirracismo no Ensino de Línguas. Foi um dos realizadores da pesquisa "Pretoguês em comunidades quilombolas da Chapada Diamantina" – UFBA em 2023. Fez o curso Igualdade Racial nas Escolas, em 2023, promovido pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) em parceria com o Instituto de Educação a Distância da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro Brasileira (UNILAB). Apresentou um de seus artigos, "As influências das línguas Bantu no português do Brasil: origens e trajetórias rumo ao Pretuguês" no II Colóquio de Linguística (II COLIN) – Linguística hoje: potencialidades e interfaces, realizado pelo Centro Acadêmico de Letras Prof.Ruy Póvoas, em parceria com o Programa de Pós-graduação em Letras: Linguagens e Representações (PPGL - UESC), Kàwé - Núcleo de Estudos Afro-Baianos Regionais (NEAB) e o Laboratório de Redação, no ano de 2023. Realizou estágio na Prefeitura de Itabuna como auxiliar de vida escolar - AVE, 2023-2025. Foi colaborador da pesquisa "O Pretuguês do quilombo e dos terreiros de candomblé: educação linguística e transmissão ancestral em contação de histórias (UFSB, 2024-2025). De 2024 a 2025, foi bolsista CAPES da UFSB do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência. Em 2024, atuei como revisor do livro “Racismo e Linguagem: estratégias de professores negros no ensino de língua inglesa”, publicado pela editora Pimenta Cultural e pertencente a autoria do Dr. Gabriel Nascimento (autor de Racismo Linguístico). É o primeiro linguista angolano a abordar sobre o estilo de dança e música Kuduro na perspectiva linguística em seu artigo “O kuduro como espaço de resistência linguística do português d'Angola: Angolês”, publicado em 2024 pela Revista Gatilho – Brasil. Fez o curso auto-instrucional de Formação em Linguagens e suas Tecnologias, em 2024, promovido pela Secretaria de Educação Básica no Ambiente Virtual de Aprendizagem do Ministério da Educação - AVAMEC. Em 2024 fez o curso de Language and creativity e o curso de Language and thought: introduction representation, Language and creativity, and Language in the real world oferecidos pela The Open University - Inglaterra. Em 2025, pela The Open University – Inglaterra, fez o curso de Learning to teach: mentoring and tutoring student teachers. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Língua Portuguesa!

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Published

2026-05-25

How to Cite

David, M. T. (2026). Demarcating Angolan Portuguese in light of linguistic decoloniality and continuing the struggle for its representative designation: Angolês. Signo, 51(101), 150-162. https://doi.org/10.17058/signo.v51i101.21094