A subversão feminina expressa nas autobiografias de Rita Lee
DOI:
https://doi.org/10.17058/signo.v51i100.21051Palavras-chave:
Autobiografia, Feminismo, Papéis de gêneroResumo
Rita Lee (1947-2023) eternizou-se na história da música brasileira, sendo conhecida como a Rainha do Rock. Lutando pela conquista de seu espaço nesse meio que, até então, era predominantemente masculino, a cantora e compositora, que embora não se declarasse feminista, abriu caminhos para que outras mulheres também pudessem construir sua trajetória no rock nacional. Além de ser a autora de letras carregadas de ideais de libertação feminina, que questionam estereótipos de gênero e confrontam padrões morais, também manifestou sua resistência à subordinação da mulher em suas duas autobiografias, Rita Lee: uma autobiografia (2016) e Rita Lee: outra autobiografia (2023). A partir dessas duas autonarrativas, este trabalho tem como objetivo compreender como a cantora mostrou-se subversiva no exercício de diferentes papéis de gênero e de que forma isso reflete na sua escrita de si. Para tanto, foi realizada uma pesquisa bibliográfica, apoiada nas contribuições de autoras como Lígia Maria Leite Pereira (2000), Sandra Maia Farias Vasconcelos e Maria Neurielli Figueiredo Cardoso (2009), que abordam o gênero autobiografia; e no tangente às questões do feminino, tomamos como base as reflexões de Elaine Showalter (1994), Elódia Xavier (2021), Joan Scott (2016), Joan Tronto (1997), Simone de Beauvoir (1970) e Teresa de Lauretis (1994). O estudo mostrou que a escrita de Rita Lee não apenas desafia normas institucionais e sociais, mas também funciona como uma tecnologia de gênero, viabilizando reflexões sobre a emancipação feminina.
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