Violência lenta e saúde mental: efeitos da Usina Hidrelétrica de Estreito no assentamento Baixão em Babaçulândia - TO
DOI:
https://doi.org/10.17058/d2fv6x84Palavras-chave:
Atingidos por barragem, Violência lenta, Saúde mental, Assentamento, Usina Hidrelétrica de EstreitoResumo
A construção da Usina Hidrelétrica de Estreito/MA deixou enormes passivos no estado do Maranhão e do Tocantins; entre os afetados estão os moradores da Ilha de São José que foram realocados para o assentamento Baixão no município de Babaçulândia/TO. Objetiva-se analisar se a violência extraordinária do deslocamento forçado se perpetua como violência lenta no cotidiano dos atingidos e seus efeitos para a saúde mental. Para tanto fez-se uma análise das condições de suporte social e saúde mental de 13 moradores e entrevistou-se quatro desses. Os resultados seguiram os padrões normativos dos testes utilizados e as entrevistas foram tratadas no software WebQDA utilizando os parâmetros de análise de conteúdo. Os resultados apontam para um elevado nível de sofrimento emocional resultante de múltiplas violências de estado que aparecem pelo descaso do poder público em solucionar questões postas desde o início, tais como falta de água potável, de acesso ao rio, de infraestrutura para produção e de alterações no modo de vida. Conclui-se que a barragem se estabiliza como práticas de violências lentas cotidianas que perduram no tempo e no espaço alterando de forma significativa as condições de vida dos ribeirinhos.
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