Saberes, territórios e direitos: práticas sociais e desigualdades no Brasil contemporâneo
DOI:
https://doi.org/10.17058/agora.v27i2.21256Palabras clave:
Saberes, práticas sociais, territórios, direitosResumen
O volume 27, número 2, da Revista Ágora, intitulado "Saberes, Territórios e Direitos: Práticas Sociais e Desigualdades no Brasil Contemporâneo", organizado pelos Drs. Everton Luiz Simon e José Antônio Moraes do Nascimento, reúne dez artigos distribuídos em três seções temáticas que convergem para a análise crítica das desigualdades estruturais nas sociedades contemporâneas.
A seção Alimentação, Cultura e Sociedade constitui o núcleo mais denso do número, reunindo quatro contribuições que investigam as práticas alimentares como espaços de construção identitária, disputa econômica e produção cultural. Os artigos abordam as motivações de consumidores em feiras da agricultura familiar no Vale do Rio Pardo-RS, a partir da perspectiva orientada ao ator (Long); a cultura alimentar de comunidades quilombolas do Cerrado e seus vínculos com territorialidade e soberania alimentar; a feminização da pobreza sob o prisma decolonial e interseccional, articulando patriarcado, racismo e classe; e o potencial de consumo do melado de Capanema com Indicação Geográfica em Foz do Iguaçu-PR, revelando as tensões entre reconhecimento territorial e educação do consumidor.
A seção Direitos Humanos e Políticas Públicas agrupa cinco artigos que examinam as tensões entre a garantia formal dos direitos e sua efetivação prática em contextos de desigualdade estrutural. As contribuições percorrem a trajetória histórica do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), os determinantes sociais dos maus-tratos contra crianças e adolescentes, os desafios de acesso à saúde pública por migrantes, o protagonismo feminino na Ciranda Musical Teuto-Riograndense durante a ditadura civil-militar e as práticas pedagógicas em torno do Dia da Consciência Negra nas escolas brasileiras. A seção de Temática Livre encerra o número com uma leitura da Indústria 4.0 como "indústria líquida", em diálogo com Bauman e Schwab, evidenciando os impactos das transformações tecnológicas sobre o trabalho, o consumo e a proteção social. O número afirma, em seu conjunto, a responsabilidade social e política do conhecimento científico produzido pelas ciências humanas e sociais diante dos desafios do tempo presente
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