PRESENÇA DE FADIGA E DISPNEIA AFETA A QUALIDADE DE VIDA DE PACIENTES RECUPERADOS DE COVID-19
DOI:
https://doi.org/10.17058/rips.v8i2.19295Palavras-chave:
Fadiga, Dispneia, COVID-19, Síndrome Pós-Aguda de COVID-19, Qualidade de VidaResumo
Introdução: pacientes recuperados de COVID-19 podem apresentar sintomas que persistem ou se desenvolvem semanas após a contaminação inicial. Objetivo: avaliar a relação entre os sintomas de dispneia e fadiga e a qualidade de vida em pacientes recuperados de COVID-19. Métodos: estudo transversal com pacientes de ambos os sexos, maiores de 18 anos, com histórico autorreferido de contaminação por COVID-19 e com sintomas persistentes. A qualidade de vida foi avaliada pelo questionário SF-36 e a intensidade dos sintomas (dispneia e fadiga) pela escala de Borg modificada. Resultados: 42 pacientes (57,8% homens; 53,6 ± 11,8 anos) com 5 (2,5 – 8) meses de diagnóstico foram avaliados. A prevalência de fadiga foi de 88,9% e associou-se com a Capacidade Funcional (r=-,483; p=0,010), Dor (r=-,311; p=0,045) e Estado Geral de Saúde (r=-,355; p=0,021). A prevalência de dispneia foi de 77,1% e associou-se com a Capacidade Funcional (r=-, 558; p=0,010), Saúde Geral (r=-,346; p=0,025), Vitalidade (r=-,359; p=0,020), Papel Emocional (r=-,361; p=0,019) e Saúde Mental (r =-,380; p=0,013). Foram identificadas diferenças nos escores de Capacidade Funcional (p<0,001), Saúde Geral (p<0,027), Vitalidade (p<0,022), Aspectos Emocionais (p<0,021) e Saúde Mental (p<0,015) entre pacientes com maior e menor intensidade da dispneia e diferenças nos escores de Capacidade Funcional (p<0,002), Dor (p<0,046) e Estado Geral de Saúde (p<0,023) entre pacientes com maior e menor intensidade de fadiga. A intensidade dos sintomas foi capaz de predizer escores dos domínios do questionário de qualidade de vida. Conclusão: pacientes recuperados da COVID-19 podem apresentar sintomas meses após a contaminação aguda e esses sintomas afetarem a percepção de saúde.
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